quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A dor

E comigo teve uma breve conversa...
E disse assim de início:
Meu rapaz... nem Ele quis de mim tanta distância...
Por que tem em teu íntimo tamanha ânsia de estar protegido e confortável?
Acaso nunca ouvistes em todos esses anos de leitura e andar quilômetros
Que os espinhos ensinam mais que as flores?
Que o deserto é o preliminar das gargantas saciadas?
Que a ausência é o tempero da presença?
E que meu rosto embeleza o alívio?
Vejo que toda essa tua fuga, bom rapaz
Transformou-te em um lutador
Mas tua única luta, pelo que vejo, trava-se contra mim
Vais tu, de agora enfim, lutar contra os dias e contra as noites
E todos os seus habitantes
Que ainda se perseguem naquele ritmo frenético que nem eu consigo parar
E então naquela arena eu vou te auxiliar
Desde que tu pares a teimosia de viver sem mudanças e sempre ladeado de manjares
Podes tu alcançar tal distância, rapaz?
Se não, admoesto-te a cessar com essa tua traição a tua experiência
E espera pelo menos se eu venho a ti ou não.
Pois tua angústia tem minha deixa
E aumenta com esse teu intento de não me ter
Mal sabes tu se Ele te livrará ou não...

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