terça-feira, 14 de setembro de 2010

A cortina cinza

Sempre procuramos o que sentir quando não vamos além do que vemos agora, nesta mesma hora, onde os homens devaneiam homenageando o que sentimos com o cálice da certeza de que é isso mesmo.

vamos assim saber que o que vemos parece certo

incerto é não sentir nada

incerto é não sentir nada?

mas quando os olhos inundam a alma com a dor de tanto mundo viemos à uma mesa com um prato vazio e a fome que nos espera saciar a certeza que o alimento não vai nos confortar, e o vinho com seus desconsentimentos e suas dissensões vai nos brindar com a praga de um dia sem horizonte.

ah se eu com minhas mãos alcançasse essa cortina cinza que me separa da parusia do meu redentor

os anjos iriam talvez perguntar: que homem é esse? 

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A mesa e o Figo

Se quer saber o sabor do espinho
Sem nenhuma dor
Venha e olhe para mim
Se quer sentir o tremor da montanha
Sem tombar para morte
Venha e olhe para mim
Se quer ver as paredes dos juncos
Sem afogar a alma
Venha e olhe para mim

Quando eu te vir vou pedir um figo
Você tem um figo para mim?
Quando eu te vir vou pedir um figo
Quem é você sem um figo para mim?

Se quer saber o nome na pedra
e ver que é o seu
Venha e olhe para mim
Se quer sentir o calor na fornalha
e os anjos te acompanhar
Venha e olhe para mim
E na carruagem das nuvens mais
altas que os homens
O teu olhar será pra mim

Quando eu te vir vou pedir um figo
Você tem um figo para mim?
Na mesa do cordeiro faltava um figo
Até você chegar
Você tem um figo para mim?